A máquina do mundo corrompeu-se pelo poder,
Mas foi criada à base da verdade.
A maldade diluiu a prática, mas jamais destruirá a teoria
Daquelas terras de Minas descritas por Carlos Drummond de Andrade.
Nesta terra só há caos e calamidade,
Prevejo um futuro sem eira nem beira!
Pretendo ir-me embora para Pasárgada,
Onde serei amigo do rei junto à Manuel Bandeira.
Amo minha terra, é com pesar que parto,
Junto de Gonçalves Dias, vou mesmo para lá,
Apesar de saber que as aves que lá gorjeiam,
Não gorjeiam como as de cá.
Lá, caso não me adequar ao local
Não tardarei a voltar,
Quem sabe não seja um lugar tão sujo
Quanto o poema sujo de Ferreira Gullar?
Arriscar-me-ei em prol da felicidade,
Podendo acabar sem comida, sem teto...
Mas o sertão realmente foi esquecido,
Como previu João Cabral de Melo Neto.
E quem sabe nas estradas desse meu caminho
Eu não encontre uma moça tão linda
Quando os retalhos deixados outrora
Pela majestosa Cora Coralina?
À esta moça jurarei muito carinho.
Não a desapontarei jamais!
Recitarei frequentemente o Soneto da Fidelidade
Para firmar meu amor à ela e a Vinicius de Moraes.
Louco demais seria eu
Por desejar tal dama, sem sequer conhecê-la?
Ora, quem ousa julgar-me louco, se Olavo Bilac
Abria a janela para conversar com as estrelas?
Paz e amor são os ingredientes fundamentais
Para alegrar o mundo meu;
É uma pena que a aids seja a minha cara
Num mundo regido por Caio Fernando Abreu.
Augusto dos Anjos não me criou, mas acabo eu como Ismália:
As cismas do destino fizeram-me sonhar;
Partirei, com a alma subindo ao céu,
Com o corpo descendo ao mar.
E, como numa ciranda de criança,
Verei no fim um "até breve"...
Vou-me embora, mas volto um dia,
Na inocência de Cecília Meirelles.
Percebam que eu - como todo poeta - morri de amor,
Então não ousem dizer que poeta não ama!
Se eu fosse um padre, o matrimônio seriam duas horas
Regadas por um recital apaixonante de Mário Quintana.